Arquivo do mês: maio 2015

poemas na escola

outro dia, a escola educar-se, onde meu filho, pedro, estuda, realizou um sábado de integração.

a ideia era que os pais, e seus filhos, realizassem atividades culturais.

teve de tudo: banda de rock, esquetes, dublagens e tals.

a poesia ficou por minha conta: li quatro ou cinco poemas do livro de razão.

acho que foi legal.

declamação

na selfie, fabiana piccinin, pedro e eu

na selfie, fabiana piccinin, pedro e eu


machado de assis vai para rubem fonseca

não é poesia, mas o registro é importante: rubem fonseca é o grande vencedor do prêmio machado de assis.

o prêmio da ABL (Academia Brasileira de Letras) é dado a um autor pelo conjunto da obra desde 1941.

saiba mais por aqui.

rubem fonseca


curso resgata cartas dos grandes autores

olhaí que legal:

“A partir do dia 13 de maio, o Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro promoverá o curso Remetente/Destinatário, que tem como proposta analisar e resgatar trocas de cartas de grandes autores, entre eles Franz Kafka, Rainer Maria Rilke, Elizabeth Bishop, Fernando Pessoa e Mário de Andrade. As sete aulas acontecem sempre às quartas-feiras, das 19h às 21h, e serão ministradas por convidados como Pedro Côrrea do Lago, Antonio Cicero, Paulo Henriques Britto, entre outros. (…)”

mais informações por aqui.

curso


Uma didática da invenção

(um poema de manoel de barros)

I

Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca
b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre 2 lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.

II

Desinventar objetos. O pente, por exemplo.
Dar ao pente funções de não pentear. Até que
ele fique à disposição de ser uma begônia. Ou
uma gravanha.
Usar algumas palavras que ainda não tenham
idioma.

III

Repetir repetir — até ficar diferente.
Repetir é um dom do estilo.

IV

No Tratado das Grandezas do Ínfimo estava
escrito:

Poesia é quando a tarde está competente para dálias.
É quando
Ao lado de um pardal o dia dorme antes.
Quando o homem faz sua primeira lagartixa.
É quando um trevo assume a noite
E um sapo engole as auroras.

V

Formigas carregadeiras entram em casa de bunda.

VI

As coisas que não têm nome são mais pronunciadas
por crianças.

VII

No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá
onde a criança diz: Eu escuto a cor dos
passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um
verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz
de fazer nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.

VIII

Um girassol se apropriou de Deus: foi em
Van Gogh.

IX

Para entrar em estado de árvore é preciso
partir de um torpor animal de lagarto às
3 horas da tarde, no mês de agosto.
Em 2 anos a inércia e o mato vão crescer
em nossa boca.
Sofreremos alguma decomposição lírica até
o mato sair na voz .
Hoje eu desenho o cheiro das árvores.

X

Não tem altura o silêncio das pedras.

manoel_de_barros


este poema

e este poema
que não sai
de mim?

este poema
que cheira
a carro

que cheira
a barro,

que cheira
a casa,

que cheira
a jardim,

por que
este poema,

este quase
dilema,

não sai
de mim?

(à página 34 do “livro de razão” (Insular, 2014), de minha lavra. o livro pode ser adquirido por aqui.)


Esquina

poema de nei duclós

Procuro alguma coisa bela
na rua que perdeu a alma
a lua, alguma coisa nova

Procuro alguma coisa séria
a prova de que estou na terra
a estrela que não for loucura

Procuro alimentar os olhos
com a luz que brota da calçada
na curva de uma esquina clara

Procuro aquilo que me espera
o corpo que recusa o escuro
a mão que enfim de desamarra

(à página 31 do livro “No mar, veremos”, globo,2001)

nei duclós


acontecimentos

o poeta antonio cícero, que, além de grande poeta, é irmão de marina lima (que saidades!) mantém um blog – acontecimentos – onde, generosamente, divulga poemas de poetas os mais diversos, tendo como fio condutor a qualidade da poesia em questão.

seja pela (necessidade de) atualização ou pela fruição estética, recomendo que se siga, sejamos poetas ou não.

e seguir.

antonio cicero


sobre a nova poesia norte-americana

sobre a (boa) e nova poesia que se faz na américa, um artigo da “the new yorker” a respeito dos poetas
terrance hayesdeborah landau.

o artigo é assinado por dan chiasson e você pode acessá-lo por aqui.

Deborah Landau terrance hayes


A salvação do mundo

Não existe num verso nada de útil à salvação do mundo.
O poema não pode ter mais que uma casa, paredes
caiadas de branco, os azulejos a rebaterem o sol contra
a sombra, dizendo-lhe o seu lugar. O poema é o meu pai

em sofrimento na cama do hospital, as mãos inúteis que
lhe afagam a dor, estas mãos tão inúteis percorrendo os
versos ao som das palavras. O poema é circunstância de lugar

em imagens atiradas ao chão, reduz à sombra o sol. A casa
essencial, a do poema, memória e salvação de um homem.
O mundo é útil de poesia. Todos os versos são possíveis.

(poema de jorge reis-sá, à página 17 do livro “biologia do homem” – escrituras, 2005)

jorge reis


lorca em pdf

o site holismo planetário está disponibilizando a obra do poeta espanhol frederico garcia lorca em pdf.

entre por aqui.

frederico garcia korca


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