Arquivo do mês: agosto 2014

poema em linha reta, por osmar prado

uma das interpretações mais lindas que conheço do “poema em linha reta”, de fernando pessoa, pela voz de osmar prado.


Alvorada em Bangkok

O poder abrir-te como quem abre uma lata
de sardinhas, um olho podre, um baú de sedas velhas,
ou como quem abrisse um vidro de perfume, ou abrisse
(abro) um segredo à polícia política de Bangkok.

Isso não vem de mim, de tu, de ninguém conhecido
que se possa chamar Irmão.
Vem da fereza precisa do cão danado
não morto em Babel.
Vem da natureza ali fechada
no ventre universal
                                    de Buda.

(poema de guilhermino cesar, à página 123 do livro “sistema imperfeito & outros poemas (globo, 1977))


poesia & prosa

os grandes jornais disseram que eliane brum foi, nesta fala, “sisuda”, “séria”, e que os demais, descontraídos.

eu acho que foi muito mais do que isso.

chamou-se, a mesa da Flip 2014, “poesia & prosa”, e contou, além de eliane brum, com gregorio duvivier e c. peixoto.

ouçam com seus próprios ouvidos.


o canto que canto

meu canto
é o canto que canto
quando sozinho estou.
é o delírio rouco da garganta
que a faca, incólume, decepou.

o canto que canto
é mais susto que espanto: faz pensar
onde me encontro quando longe daqui estou
cantando o canto que canta a voz louca do anjo que sou.

(poema de minha lavra, à página 64 do livro ‘tempo horizontal’ – edunisc, 2013)


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