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novo site da ages está muito interativo

a poesia gaúcha e brasileira, como de resto toda a literatura cometida por estes lados, conta, agora, com um importante aliado: o novo site da associação gaúcha dos escritores, a ages.

acesse o site por aqui.

além de moderno e mais bonito, o espaço está muito interativo; ou seja, os associados podem dispor dele para publicizar seus livros e movimentos, o que não é pouco nestes dias desiguais.

é o meu caso.

entra lá. visita. confere.


um sarau digno de nota

muito, mas muito legal o sarau que killy freitas e eu realizamos, na noite de sábado 1º de outubro, na casa plural, um espaço megabacana aqui de santa cruz do sul, tocado por nossa queria amiga maria rita peroni.

declamamos poemas do “o livro das sombras, jazz  & outros poemas” (catarse, 2016), em particular os poemas do “jazz poetry”,  mas, também, alguma coisa do “livro de razão” (insular, 2014) para cerca de 40 pessoas.

no álbum deste blog, à direita do  post,  você confere como tudo se deu.

a foto abaixo, de verônica sallet soster, minha filha, traduz com precisão um pouco de como tudo se deu.

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sobre o lançamento em santa cruz do sul

escrevo para dizer que o lançamento do “o livro das sombras, jazz & outros poemas” (catarse, 2016), sábado, dia 10/09, na 29º feira do livro de santa cruz do sul foi bacana pra caramba.

foram mais de 30 autógrafos em uma tarde lindíssima, pra dizer pouco; sobretudo repleta, a tarde, de amigos os mais diversos.

é começar a preparar, agora,  o lançamento para porto alegre, dia 14 de outubro, e santa maria, em data a ser marcada.

em santa cruz do sul, o “o livro das sombras, jazz & outros poemas” pode ser adquirido nos seguintes endereços:

+ livraria campus (unisc),
+ livraria iluminura (borges de medeiros, 471 – centro);
+ livraria cometa (julio de castilhos, 255 – centro).

o preço sugerido de capa é de R$ 26,00.

outra opção é diretamente com o autor, pelo e-mail deazeredososter@gmail.com.

o frete é por minha conta.

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gabriel renner, o cara da capa, e eu

 


machado de assis vai para rubem fonseca

não é poesia, mas o registro é importante: rubem fonseca é o grande vencedor do prêmio machado de assis.

o prêmio da ABL (Academia Brasileira de Letras) é dado a um autor pelo conjunto da obra desde 1941.

saiba mais por aqui.

rubem fonseca


carpinejar está mentindo

passaram-se 17, 18 anos desde a primeira vez e ainda hoje não sei se gosto dele, apesar das palavras.

o amor tem dessas coisas, não há o que ser feito.

mas o fato é ninguém desconfiou que o outrora fabrício, aquele cuja morte acaba de ser revelada pelo bufão do carpinejar, está vivo. e de volta.

melhor dizendo: fabrício não morreu de morte matada, ou morrida. quem morreu foi outro fabrício.

explico.

depois de ter criado o personagem carpinejar de unhas pintadas a partir de um fabrício de terno e gravata, e se transformado no primeiro (eu havia cantado esta pedra havia muito), a ponto de perder o controle, o cara que também se chama carpinejar acaba de anunciar a morte de um morto.

leia o texto; tire suas próprias conclusões.

a julgar pelas palavras, dá pra pensar que é isso mesmo; que quem manda no pedaço,  mais do que nunca, é, definitivamente, carpinejar, e que os ternos e fatiotas do fabrício permanecerão onde foram guardados há quase duas décadas: no armário.

é possível, claro.

quer me parecer, no entanto, que estamos testemunhando o nascimento de um novo personagem.

até pode ser que não se chame fabrício, como aquele dos ternos, gestos e versos invejáveis que conhecemos ali atrás, pois que morto está, como anunciado.

é possível.

assim como é possível que este novo ser venha com uma sede notável de versos, dado o longo estio.

aí neguinho, é comemorar.


há vaga para gullar na ABL?

ferreira gullar

ferreira gullar é convidado à academia brasileira de letras, na vaga de ivan junqueira.

leia aqui.

convite mais que necessário, diria.


o beabá da poesia – micro-estruturas 3

o terceiro item das micro-estruturas do ritmo verbal, na categorização de armindo trevisan que estamos seguindo, são as anáforas e epíforas.

anáfora: repetição de uma palavra (ou conjunto de palavras) na mesma posição, em versos diferentes, em geral no início de uma estrofe.

é o que fiz no poema “velho”, que integra “tempo horizontal” (edunisc, 2013, p. 30).

velho é o vento que venta
e espalha poeira no ar.

velho é o tempo em que
juntos podíamos brincar

velho é o corpo que agora
no banco da praça espera
sem pressa, o tempo passar.

epífora: é a mesma repetição, só que no final das estrofes.

outro exemplo do “tempo horizontal”. chama-se “os olhos do cão”, e está à página 33.

olhei em teus olhos vermelhos
e vi neles
os olhos vivos do cão

os olhos da besta
que adormece
sedenta de sangue, vinho e pão

olhei em teus olhos vermelhos
e vi neles
os olhos vivos do cão

os olhos da besta
que sonha com dias
de glória e libertação

olhei em teus olhos vermelhos
e vi neles
os olhos vivos do cão

tuas pupilas contrastam
com os olhos do cão 


ainda sobre a inspiração

ainda sobre a inspiração, ainda na perspectiva de armindo trevisan:

“o processo criador é um processo duplo de elucidação interior, e, também, um processo epidérmico, na medida em que implica uma alegria quase infantil de invenção, como quando as crianças vão a um bosque e deparam com amoras e framboesas que as fascinam. assim, aquilo que as pessoas costumam designar por inspiração coincide com uma deliciosa excitação psiquica ou psicológica. consequentemente, o processo criador tem o valor de um teste ou experiência, que pode dar certo ou não. trata-se de “chegar” a alguma coisa que não sei o que é. uma vontade de olhar, de não só dar à luz algo, mas também de dar-se à luz.”

comentário extraído de TREVISAN, Armindo. Reflexões sobre a poesia.Porto Alegre: Inpress, 1993. p. 65


o beabá da poesia – micro-estruturas 2

o segundo elemento que compõe as micro-estruturas dos ritmos verbais são as rimas, na perspectiva de armindo trevisan.

estamos falando de uma identidade de sons que se formam a partir da repetição de sons semelhantes, segundo norma goldstein, em diferentes locais dos versos (final, interior, posições variadas etc.)

há, fundamentalmente, dois tipos de rimas: consoantes (igualdade ou semelhança de som a partir da última vogal tônica do verso) e assonantes (há igualdade de som apenas em relação à vogal tônica do verso).

mas não é só.

pode haver rimas com a) repetição da mesma consoante (aliteração); b) rimas ricas e pobres (será rica quando a identidade é de classes diferentes, por exemplo, adjetivo/substantivo; pobre, quando for igual (adjetivo/adjetivo); c) rimas emparelhas (duas a duas – aa/bb/cc); d) alternadas (ab/ab), e) opostas (quando o primeiro verso rima com o quarto); f) misturadas (distribuição livre das rimas); g) interiores/leoninas (quando a rima está, a um tempo, no interior e na extremidade do verso) e, finalmente, h) rimas com eco (cujo efeito, como o nome sugere, provoca um eco)


o beabá da poesia – micro-estruturas

a ideia é estudarmos juntos, por meio de anotações de (re) leitura (s) realizadas, aspectos, formais ou não, dos poemas; em português, o que, neles, permitem que eles sejam o que são.

neste sentido, um livro aos meus olhos fundamental – tanto para quem escreve, como para quem estuda o que se escreve, à revelia do estágio evolutivo; se no início ou no caminho – é o “a poesia – uma iniciação poética“, de armindo trevisan (unipron, 2001).

leitura de cabeceira para quem se interessa por poesia, diga-se.

as anotações-síntese que farei a partir de hoje, identificadas com a tag “beabá da poesia” serão retiradas deste livro, principalmente; à medida que novas leituras forem se incorporando, serão assinaladas igualmente quanto à sua origem, desde que tenham a dizer com pelo menos a mesma competência.

dito isso, observemos as micro estruturas do ritmo verbal, a começar pela aliteração, que está competentemente explicada e ilustrada no livro de trevisan a partir da página 99.

o que é aliteração? (…) repetição de uma mesma letra (vogal ou consoante), ou de uma mesma sílaba (ou som), no início, no meio, ou no fim de vocábulos, frases ou versos seguidos. (…) A aliteração enfatiza as onomatopéias, os ecos, as associações de ideias, fazendo as palavras dizerem mais do que poderiam tirar de um código algébrico e arbitrário: ‘transgredindo o princípio da univocidade do signo, ela baseia parte de seu poder na polissemia (o complemento é de henri suhamy, no livro “a poética” – jorge zahar, 1988, p. 104).

um exemplo de aliteração de meu primeiro livro, “tempo horizontal” (edunisc, 2013, p. 23 – o poema por inteiro):

“(…)
escrevo aqui meu poema derradeiro.
o poema torto, sem jeito,
o poema parido com defeito,
o poema que não sabe ser direito. (…)”

para encerrar, um toque muito importante de trevisan ao final do capítulo: (…) as aliterações são eficiente e poéticas na medida em que o artifício não se sobrepõe à arte”.


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